quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Rua dos Mercadores

Quem lá mora: bancários, funcionários superiores da Câmara e um ou outro dos serviços municipalizados e vogais da administração de empresas municipais. Vogais, não presidentes que esses foram para os Montes.

Tinha aberto a rua, a famosa família Imaginário. Antigos e muito repeitados comerciantes da terra. A seguir, tinha ido o boticário e ao mesmo tempo, os Realista, republicanos de gema. O bisavô do actual - comerciante de tudo a um euro - quis até mudar de apelido, a favor dos ventos da época.

Todos tinham começado pelas feiras. Até o boticário que antes era ervanário. Primeiro com uma mula, depois com uma parelha e depois com uma Transit, em segunda-mão. Ajoujadas, eram o grande avanço tecnológico dos 70 e tinham menos mão de obra que as mulas. Os Imaginário, por exemplo, tinham tanta estimação na sua que até lhe puseram nome - a Russa - em homenagem à primeira mula da casa. A furgoneta havia sido encarnada, em nova, mas estava tão surrada do sol que a cor só se conhecia debaixo da dobrinha do tejadilho.

Os mercadores de hoje, não moram na cidade. Foram para os arredores. Já não dão nome às ruas. Nem às carrinhas!

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